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UMA CARTA A ÚRSULA DO FUTURO

Atualizado: 29 de dez. de 2022

Preciso ser sincera, encarar a vida adulta nunca foi natural pra mim. Eu chorei como uma criança quando a escola terminou, e, pasmem, eu tinha medo da faculdade. Eu não me sentia inteligente o suficiente para passar nos vestibulares, especialmente nos mais disputados. Eu não conseguia olhar pra frente e me enxergar sendo uma adulta completa, uma profissional. Isso parecia fora do meu alcance.


Bom, diferente de muitos dos meus colegas, que já estavam determinados a se tornarem adultos excelentes, eu pensei em alguns cursos que pudessem preencher a minha alma e me levar a realização de sonhos. Com a certeza de que eu não nasci para um trabalho monótono, nem para a rotina, e com um empurrãozinho dos meus professores e pais, eu finalmente escolhi um curso superior. Afinal, qualquer outra alternativa que não engressar em uma universidade, não me parecia possivel. Eu não tinha peito para assumir uma responsabilidade dessas, eu sabia que era hora de encarar o futuro, mesmo que de olhos fechados, os três ultimos anos do ensino médio foram muito claros: se quiser ser feliz, seja alguém na vida.


Ok, eu segui em frente e o meu primeiro dia de aula na universidade está intacto na minha memória, graças a Deus eu escolhi a melhor universidade e a primeira professora com quem eu dei de cara, acabou se tornando depois uma grande mentora e uma das minhas maiores inspirações de profissão e de vida, em resumo, uma mulher maravilhosa. A paixão dela me contaminou, e naquele dia, eu tive a certeza de que estava no lugar certo. Ufa, me senti um pouco mais segura em encarar o futuro.


Os anos na universidades foram fantásticos, e eu consegui deixar o ensino médio pra trás com leveza, afinal, eu tinha feito a escolha certa. Eu me apaixonei por cada um dos meus professores, colegas, e por cada uma das experiências que aquela universidade me proporcionou. Foram inúmeras e eu posso garantir que eu guardo todas elas com imenso carinhos e uma pontinha de saudade. Jovens, aproveitem seu tempo na universidade.

Bom, o curso de design de moda chegou ao fim e eu estava empregada. Sucesso, não é mesmo? Até parece, o fato é que eu com 21 anos (a beira dos 22) ainda não tinha maturidade para encarar o futuro, ainda não entendia o mercado de trabalho e ainda queria "curtir a vida adoidada". E, chorem, foi o que eu fiz, sai do trabalho com a ideia de que seria fácil equilibrar uma carreira em qualquer lugar com a toda a alienação que eu queria viver na juventude.


Afinal, do outro lado estava uma quantidade inumeráveis de jovens me dizendo: você não precisa de um trabalho formal, você vai envelhecer e não vai ser feliz, a CLT vai te separar dos teus sonhos. Eu, ainda ingênua, acreditei neles. Me joguei a todas as experiências que eu queria viver, absolutamente todas elas.


O problema é que os anos foram passando, alguns dos meus colegas e amigos determinados foram conquistando coisas. Carro, viagens, apartamentos, roupas, família... e eu não tinha nada disso. Eu só tinha, lá no fundo, aquela voz, dos meus professores da escola que me diziam: se quiser ser feliz seja alguém na vida.


E eu, de fato, queria. Eu queria mesmo. Por isso que a faculdade fez tanto sentido pra mim, porque eu entendi que eu poderia ser alguém na vida e ainda trabalhar no que eu amo.

Bom, foi ai que a minha cabeça começou a ir para a o lugar, e eu me dei conta de que quanto antes eu começasse a correr atrás dos meus sonhos, antes eu os conquistaria. Então, lá pelos 27 eu decidi que nada nem ninguém iria me tirar do meu propósito. Eu me fechei entre 4 paredes e passei a me dedicar de forma imensurável a me tornar quem eu queria ser.


Você com certeza conseguem imaginar o quanto isso não foi saudável. Eu queria compensar todos os anos que eu tinha perdido. Impossível, não é mesmo?

Então eu larguei tudo como estava e fui buscar refugio no colo dos meus pais, as pessoas que eu acredito serem alguém na vida. A convivência com eles foi boníssima. Mas, os meus sonhos, e aquele desejo de ser alguém na vida, continuou lá, pulsando e me chamando.


Foi ai que eu resolvi encarar uma viagem, e experimentar um outro estilo de vida. Que é a aventura que eu estou vivendo agora. Formidável, tempo comigo mesma de sobra, maturidade para olhar para os meus antigos projetos, e a possibilidade de mais uma vez correr atrás dos meus sonhos.


Hoje o meu sentimento foi tão forte, que a minha única alternativa foi a de vir aqui expressá-lo, e, é claro, compartilhar com vocês.


Eu achava que tinha perdido quase 10 anos da minha vida sem rumo nenhum, os 10 em que eu poderia ter conquistado sucesso, estabilidade e uma família. Mas eu não o fiz, eu sempre fui uma jovem de mente aberta que sabia que o tudo me era possível. Porque eu iria correr atrás de algo que eu nem sabia se queria?


Em 1 Corintios 6:12, podemos ler a seguinte afirmação bíblica "Tudo me é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei que nada me domine. "

Hoje, com a maturidade que eu desenvolvi com todas estas experiências, eu posso afirmar que eu sei o que esta passagem quer nos dizer. Um das psicólogas mais formidáveis que eu conheci, costumava me dizer, as suas vivências te tornam quem você é. Sendo assim, eu agradeço ao passado e a minha coragem em viver o me "dava na telha".


Mas o que eu quero dizer, pra mim mesma, no futuro, é que eu estou em paz, e que, agora eu só quero ser alguém na vida. Eu quer ser o melhor alguém que eu puder ser. Eu quero ter filhos, sim, quero, com 30 anos, eu quero me casar, eu quero ser bem sucedida na minha profissão, eu quero ajudar as pessoas a encontrarem a sua própria beleza e descobrirem seus estilos, eu quero ensinar as pessoas a se expressarem através da moda.


E eu quero mais, eu quero trabalhar com design, eu quero trabalhar com mulheres fortes, batalhadoras e determinadas. Eu quero trabalhar para as áreas de moda e beleza. Eu quero permanecer digital, trabalhando com Midias Sociais, eu quero investir em equipamento para qualificar o meu conteúdo e quem sabe até ter uma equipe. Eu quero me especializar em Branding e ajudar as minhas clientes a entenderem o seu publico, e a criarem um conceito para suas marcas, sejam elas pessoais ou não.


Eu quero amigos que me somem, eu quero conversar construtivas, eu quero pessoas espiritualizadas a minha volta, eu quero conversar com pessoas realizadas e bem sucedidas, eu quero amigas mães e uma rede de apoio para cuidar dos meus filhos. Eu quero estar pra sempre perto da minha família, e quero que a minha família permaneça sempre em primeiro lugar.


Eu quero resignificar o tradicional, e o rescontruir, com todos os seus pilares, porém, do meu jeitinho. Eu quero trabalhar muito e quero conquistar cada um dos meus sonhos, eu quero encher a minha casa quentinha e confortável de todos os meus caprichos e os de toda a minha família. Eu quero ensinar os meus filhos a ter empatia, a serem humanos, a se importarem com a sociedade e mais do que tudo, a seguirem, sempre, os seus sonhos, eu quero ser a âncora que vai fazer com que os meus filhos também queiram ser alguém na vida.


Eu quero ter pets, porque pets enchem a nossa vida de amor. Eu quero uma vida tradicional, mas do meu jeito tradicional, eu quero seguir o convencional e quebrar as regras que eu achar necessário quebrar. Eu quero estar perto de quem se fortalece das mesmas armas que eu. Eu quer chegar no final da vida e ser homenageada, não pela quantidade de dinheiro que eu tenho, mas pelos feitos que eu fiz pela minha comunidade e pelos nossos filhos e netos.


Mas não se enganem, eu ja disse, eu quero ser bem sucedida, e eu estou disposta a trabalhar 48h 10 dias por semana (risos). É serio, eu entro no modo work hard, e isso é natural pra mim, eu sou absolutamente apaixonada pelo meu trabalho. E eu quero seguir sendo, me apaixonando pelo design, pela moda, e pelas pessoas, a cada novo dia, até o final da minha vida.


Eu quero envelhecer a lá Costanza Pascolato, a lá Iris Apfel, eu quero construir um guarda roupas tão maravilhoso que os meus filhos vão brigar para dividir as roupas (não que eu queira ver meus filhos brigando, mas é natural não é?).


Falando em filhos, eu quero ensinar os meus filhos a serem cristãos, eu quero ensinar os meus filhos a ouvirem louvor, a lerem a bíblia, a orarem, e a frequentarem a igreja. Eu quero que eles levem pra vida deles, o mesmo Deus que transformou a minha.

A esta altura vocês devem estar ai pensando, 'poxa mas ela quer o mundo'. Eu quero, e tem tanta gente ai que conquistou, não foi? Eu quero, também. E eu não só quero como estou disposta a dedicar cada uma das minhas hora a isto, se é pra viver, que seja de corpo, alma e espírito. Se é pra ser feliz que seja vivendo os meus sonhos.

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