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A MUDANÇA

Atualizado: 29 de dez. de 2022

Há um pouco mais de um ano tomei uma decisão importante. Em 2009 eu mudei de cidade, sai de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul com um pouco mais de 30 mil habitantes para viver na Serra Gaúcha. Eu joguei vôlei no time da escola e a Serra Gaúcha sempre foi um dos meus destinos favoritos nas nossas viagens para jogar campeonatos nos finais de semana. A nova cidade tinha em torno de 500 mil habitantes e o desafio de encarar uma graduação, naquela altura do campeonato, era a única coisa em que eu conseguia me concentrar.


Bom, a missão universidade foi bem sucedida, com excelência, eu amei os 3 anos e meio em que estive na cidade grande com o objetivo de estudar. Mas, depois da formatura, as coisas mudaram um pouco. Não foram poucas as vezes em que eu me senti a pessoa do interior em meio aos antenados cidadãos de uma cidade cosmopolita. Certamente, a minha primeira reação foi encerrar todos os ciclos que eu vivi na cidade, faculdade, trabalho, namoro, chamar um caminhão, guardar todas as minhas moderníssimas aquisições em caixas, e voltar para a casa dos meus pais. E de fato foi o que eu fiz.


Pouco tempo depois, todo aquele conhecimento adquirido começou a falar mais alto, afinal, eu tinha visto tantas outras realidades, sonhei alto, e até onde essa pequena cidade pode me levar? Senti que eu poderia ter insistido um pouco mais na cidade grande. Sem pensar duas vezes, em um gesto de tremenda humildade, eu encaixotei tudo novamente e voltei, com a cara e a coragem.


Enfim, essa história se estendeu durante mais ou menos 10 anos, sim, 10 longuíssimos anos em que eu viajava de uma cidade pra outra, incontáveis vezes, sem conseguir decidir sobre essa dualidade de sentimentos que habitava o meu coração. De um lado o sonho de uma carreira bem sucedida que habitava em mim since o ensino médio. De outro, a minha paixão pela natureza, a nostalgia gostosa de ver uma cidade mudar ao longo dos anos, a família, a possibilidade de vez ou outra encontrar com aquelas pessoas que nos conhecem desde a infância, a delicadeza de uma cidade que beira um rio, pequena, tradicional e tranquila.


Foram 10 anos em que a minha vida não conseguiu ter absoluto sentido, o meu sonho era o mesmo de todas as mulheres da minha geração, uma família com no mínimo 2 filhos, uma casa grande, própria, com piscina em um bairro gostoso de morar, uma caminhoneta, o marido por quem eu seria completamente apaixonada e que está comigo desde a adolescência, uma carreira bem sucedida, com disponibilidade de horários, salário alto, e a possibilidade de me vestir maravilhosamente todos os dias. Os finais de semana na casa dos meus pais, com as famílias das minhas irmãs, encontrar primos, tios, e avós, nos feriados mais importante e em alguns finais de semanas aleatórios. Tempo e dinheiro para viajar com a família, e porque não sair com as amigas da escola de vez em quando a lá Sex and the City. Eu poderia passar horas aqui descrevendo todos os detalhes dese sonho. e tudo isso, é claro, antes dos 30.


Aqui estou eu, com os 30 anos, e nem perto de realizar estes sonhos. Ao longo destes 10 anos, eu fiz parecer que era impossível conquistar tudo isso em uma cidade só. Então fui e voltei em uma indecisão incessante. Eu sou Libriana, o que acentua ainda mais a minha dificuldade em tomar decisões.


Acontece que há mais ou menos 1 ano atrás eu percebi que não fazia mais sentido. Eu fiz entrevistas em quase todas as empresas que eu almejei trabalhar, não entrei em nenhuma, já não tinha mais animo pra me manter animada, desisti de sair com amigos, não conheci ninguém, passava boa parte dos dias trancafiada em um apartamento, e longe, fisica e emocionalmente, da minha família. Era hora de tomar uma decisão.


E eu decidi, mudar, voltar, tentar conquistar os meus sonhos todos em um mesmo lugar, na cidade que nasci, que nostalgicamente me conta milhares de histórias em que eu fui protagonista, decidi ficar mais perto da minha família, em todos os aspectos, decidi que mesmo parecendo tarde de mais, eu ia buscar ser bem sucedida, quem sabe até mesmo me casar, e ter filhos. Decidi me acalmar, me concentrar na minha fé, amar em todas as linguagens, os meus pais, as minhas irmãs e os meus sobrinhos. Independente de quanto tempo tudo isso leve para acontecer. Eu decidi e descobri que definitivamente eu sou do campo, e não há nada de errado nisso.

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